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quarta-feira, abril 04, 2007

um, dois, um, dois, teste...

Já tinha confessado que estava farta da cara aqui da chafarica. Não, não está perfeito. Até é possível que vá de andor daqui a nada. Mas ele há vontades. E, na onda zen aqui de baixo, decidi colocar uma tunicazinha branca para chamar as boas energias e tal.

da paz

Há 3 anos atrás, andando eu por terras catalãs, armei-me em estudante de licenciatura e meti-me na Ruta Le Corbusier dentro. Esta era uma das diversas opções que alguns estudantes da ETSAB (UPC) organizavam e que proponham aos outros estudantes realizar no final de Fevereiro. Todos os anos este mercado de viagens arquitectónicas se repete. As propostas são, económica e esteticamente, para todos os gostos. Foi assim que conheci e passei uma noite no Convento de La Tourette, em Eveux-sur-Arbresle, perto de Lyon. O arquitecto é o já referido Le Corbusier. Convém explicar que nunca fui muito de heróis, nem na arquitectura, nem na vida. Mas rendi-me. Este lugar ficou como uma marca. Quando penso em paz, afastamento e reflexão, penso neste sítio e volto lá em pensamento.
Não é de um spa que eu preciso. Precisava de uma semana de mim em La Tourette. Um destes dias tiro férias da vida daqui e fujo para França, para a companhia dos dominicanos.










[imagem daqui]

sexta-feira, março 30, 2007

apertos no estômago

São diversos os momentos da vida em que o estômago concentra as ansiedades do que virá. Aperta-se, aperta-se e espera que o tempo passe. Devo andar de estômago muito sensível. Ou então, esta Primavera anda cheia de vontade de me pôr a dançar e saltitar na linha da(s) dúvida(s). Não sei nem tenho energia e tempo para perceber de onde parte o calafrio, se de dentro, se de fora. Mas, para que conste, ando com um vai e vem de viscerais frio e apertos. Respiro fundo e fico em silêncio a ver se passa. Chiu...

quarta-feira, março 28, 2007

surpresas

Andava eu a reclamar e, de repente, chega-me um vasinho, um concentrado de Primavera! Ele há os atentos e os outros. A gerência agradece e a cozinha ficou muito mais bonita.


segunda-feira, março 19, 2007

procura-se

Pensava que estava a chegar a Primavera e afinal era mentira. Sinto-me enganada, malandros!


sexta-feira, março 16, 2007

coisas que me irritam

O título da notícia do DN on-line é assim: Portuguesas ganham mais na função pública. Intrigada decido aprofundar e ver que raio é isto. Surpresa! Diz-me afinal “é que as mulheres ganham mais porque têm melhores qualificações, que exigem, naturalmente, remunerações superiores”. Porque, para mais, se lermos o último parágrafo do artigo, descobrimos que “se descontarmos este efeito da qualificação, ou seja, se a comparação for feita entre homens e mulheres com igual nível de escolaridade, conclui-se que as mulheres são mais mal pagas”.
Logo, o título talvez devesse ser: Portuguesas ganham menos na função pública para iguais habilitações. Não?
Sacanice de título! (para não dizer outra coisa!)


[Vi agora que o tal título teve direito a destaque na primeira página. Será que o Diário de Notícias precisa disto?]

pedido de desculpas

Penso que, finalmente, é o momento de fazer justiça. A verdade é que grande número de visitantes deste lar-doce-lar chegam aqui por engano. Chegam aqui porque andam no google, incautos e inocentes, à procura de informação sobre a canção que ajudou a baptizar este canto. E catrapum! Tropeçam num buraco e aqui chegam. A todos os enganados e, eventualmente, ofendidos o meu mais sincero pedido de desculpas... pena que não há nada a fazer.
(Eu já não acredito em baptismos quanto mais em rebaptismos!)

quarta-feira, março 14, 2007

das famílias

A história da bebé raptada e encontrada e devolvida, principalmente na parte de informações que hoje se sabe através dos jornais, deixa-me mais uma vez pensativa sobre a obsessão (nacional?) pelos laços de sangue e das famílias biológicas. Também, paralelo a isto tudo, encontramos muitas vezes casos de pobreza ou falta de enquadramento social.
Por um lado, porque foi esse peso, essa vontade de satisfazer a vontade de um casal ter filhos biológicos, onde ele, segundo se diz, não o poderia ter. Já existiam em casa 3 filhos. Um adoptado e dois de uma primeira relação. Mas aparentemente não chegava. Era preciso (para salvar a relação?) mais um, nascido da tal relação em risco de ruir.
Por outro lado, a criança desaparecida e agora encontrada vai rapidamente voltar à família, segundo ordem do tribunal. Onde também já são muitos e onde alguns dos 7 filhos – 3 – já se encontram em casas de acolhimento: uma avó e um casal da freguesia. Já se fala de uma eventual 3 família para esta bebé...Há qualquer coisa de errado no meio de todas estas histórias que envolvem bebés e crianças e que (cada vez mais?) chegam aos jornais... o que é que andamos a fazer enquanto país?

segunda-feira, março 12, 2007

sonho de um fim de tarde pré-primaveril

As leituras trazem-nos quase sempre a sensação de que, mais coisa menos coisa, nesta vida, como dizia o outro, “isto anda tudo ligado”(1). O desconcertante é que a minha memória não consegue abarcar tudo, ligar tudo, disponibilizar tudo… apetece-me um implante de um super-processador e de uma fantástica estrutura mental em hipertexto. Alguém tem destes para venda?

(1) Sérgio Godinho, “Isto anda tudo ligado” in Na Vida Real (1986), Polygram.









[daqui]

terça-feira, março 06, 2007

da morte III ou tic-tac-tic-tac...

Estava eu na minha pausa internética para o café e descobri que vou morrer a 7 de Junho de 2050. Daqui a aproximadamente 43 anos... não está mau. Pequena curiosidade com laivos de vingança: se fosse homem morria 5 anos mais cedo!

[pergunta: e como é que se chega a sítios da net tão interessantes? desta vez foi daqui que veio a informação]

segunda-feira, março 05, 2007

sexta-feira, março 02, 2007

da morte II

Tenho poucas pessoas que me tenham morrido. Sinto-me sortuda por isso. Sei que, inevitavelmente, essa situação tender-se-á a alterar. Leis da vida e da morte. Mas não paro muito a pensar nisso. Cada um protege-se como pode e sabe.
Das pessoas mais próximas e da família, nesta lista de perdas, consta um avô materno. Sempre tivemos uma relação difícil. A avó sempre foi, e é, uma referência. O avô o contrário. A referência pela negação. Machista, teimoso e pouco lutador no fim da vida são das coisas que mais me lembro quando penso nele. Das coisas boas de que me recordo constam a sua vontade de cultivar a boa parecença; aprumado, cuidadoso, barba bem feita e pele morena, cabelo negro até ao último momento. Herdei a minha costela afectiva de alentejana com ele. Caçador de longa data, fora um calcorreador das terras do Alentejo pelas quais tinha um amor e uma ligação na escala das heranças reais. Lembro-me de quando me contava das carroças de ciganos com os quais se cruzavam nos dias de caça. De como as longas cabeleiras negras das mulheres eram deixadas a luzir através da paciência e do petróleo.
Lembro-me que sofri a morte dele por contágio solidário, uma osmose dos afectos. Sofri muito por ver a minha avó a sofrer tanto. Chorei por vê-la e senti-la a chorar. O que eu abracei nesses dias foi o corpo dorido e perdido dela. E ela, a grande mulher da minha vida, sobreviveu à perda. Como sobreviveu a uma vida de luta, de pobreza, de quase inevitável condição de exclusão. Sofreu e sobreviveu à minha abrupta e violenta saída de casa. Sofreu e sobreviveu à distância que a ausência dos netos – por emigrações académicas – lhe impôs. Quando a bisneta que lhe herdou o nome estava para nascer, entristeceu. Imaginou-se excluída de mais este ciclo familiar. Mas, lutadora como sempre, cá anda. E à E. pequenina já se contam quase 17 meses. E como se gostam, E. pequena e E. grande... como se sentem empáticas. Adivinharão o que as une?
Hoje, do cimo dos seus oitenta e tal anos, continua a ser âncora e força da natureza. Esteja eu à altura dessa linha de mulheres da qual nasci.
Comecei o texto pensando que ia falar de uma outra mulher, também âncora para o meu crescimento e que, infelizmente, já não vive. Pertencia à minha família dos afectos. Acho que nunca soube como a sua imagem sempre me acompanhou. Falarei dela noutro tempo.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

bons ventos

Já vos aconteceu adiarem até ao limite um correio electrónico duro de escrever? Daqueles que são para pessoas de quem parte da vossa vida depende, tipo orientadores de teses... e cujo vosso anterior silêncio não ajuda a ter vontade de escrever.
Pois hoje armei-me em forte e enviei dois desses. E pasme-se: aos dois os senhores professores doutores responderam em menos de uma hora e com um sentido positivíssimo! Ele há 2.ª feiras santas!

sábado, fevereiro 24, 2007

tristezas

Fico muito desconcertada quando tropeço em mais um trabalho construído, total ou parcialmente, com suporte ao plágio. Frases inteiras roubadas e remontadas, com menos ou mais saber, sem que seja dito da sua proveniência. Sinto que falhou o meu objectivo primeiro como professora: o de manter vivo o respeito pela palavra alheia, pela ideia do outro. Se nunca lhes tivessem falado da importância da honestidade intelectual mas nem é o caso. Eu até acho que sou uma chata com esses assuntos...
Felizmente existem os outros alunos e trabalhos que nos salvam destas pontuais lamas.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

mudança de turno

Agora, com a nossa estrutura curricular adaptada à tal Bolonha, o ano lectivo é efectivamente dividido em dois. Implica algum desconforto para disciplinas para as quais a estrutura anual é mais adequada – desenho, projecto, por exemplo – e que supõem um trabalho continuado, com os mesmos docentes, ao longo do ano lectivo completo. É caso para perguntar se faz sentido esta manutenção ficcionada da continuidade anual. Estava para aqui, em delírio, a pensar que os professores destas mesmas disciplinas podiam ir saltitando...
Fora as provocações, fica a pergunta: o que deverá mudar intrinsecamente para que estas adequações não sejam só superficiais e evitar que, até nalguns casos, resultem situações de difícil gestão.
Nesta dificuldade de que falo insere-se, por exemplo, a necessidade de mudar comportamentos – de ambos os lados – no sentido de se aceitar a unidade semestre como efectiva... Afinal já não existe realmente um segundo semestre para resolver uma avaliação anual final, com o que isto tem de resultado na leitura dos objectivos conseguidos.
Agora, a cada fim de semestre, muda o turno e o que fica no extracto académico de cada aluno não é a brincar. É assunto encerrado.

[imagem daqui]

terça-feira, fevereiro 13, 2007

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

o dia a seguir

O sim ganhou. Sem me apetecer fazer análises pseudo-políticas, olho para tudo isto como o princípio de um caminho ainda longo. Agora é preciso levar mais a sério o direito à informação sobre reprodução e acessibilidade da contracepção. É necessário que se avance com estruturas de apoio às mulheres que pensam recorrer à ivg. É necessário que o país esteja à altura do sim politicamente expressivo que tivemos ontem. É necessário que se defenda a liberdade de escolha sustentada pela informação e pelo apoio efectivo a quem decide. Agora veremos da nossa capacidade de concretizar modernidade no que a este tema diz respeito.
Um pequeno passo para o país, o primeiro de um grande passo para a vida das mulheres.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

os sins do meu sim

Depois de uma ausência longa (a vida obriga!), venho deixar de modo mais claro alguns dos sins do meu sim. Noutras intervenções já tinha aberto as portas para os porquês (por exemplo, aqui e aqui) mas, em fecho de campanha e depois de ter lido, visto e ouvido muita coisa, tento chegar aos meus motivos.
1. Não sou pró-aborto, ninguém o é. Sou pró-vida sem obscurantismo, sou pró-escolha e pró-respeito pelas mulheres;
2. Acredito na capacidade das mulheres decidirem. Se considera a sociedade que, naturalmente (?), estamos preparadas para aceitar a responsabilidade da maternidade então, parece-me, devem considerar fortemente a possibilidade de sermos capazes de decidirmos sem leviandade sobre o caminho a tomar face a uma gravidez não desejada;
3. Acolhida numa estrutura legal, informativa e de apoio multidisciplinar a mulher decide com menos dor física e psíquica, definitivamente com menos sequelas. Quem sabe se apoiada e esclarecida, sem os medos implícitos à silenciar da angústia, a mulher não decide pela via da aceitação da gravidez?
4. A educação para uma sexualidade saudável e responsável não está implantada. O planeamento familiar funciona mal e escassamente. Os métodos contraceptivos são falíveis. A passagem da mensagem sobre uso sistemático e correcto dos contraceptivos tem sido muito falível. E, afinal, sexualidade não é igual a reprodução.
5. Porque não quero que as nossas filhas, amigas, primas, namoradas, mulheres, mães passem pela mesma situação de ilegalidade que eu passei um dia.

Espero que o SIM ganhe. Espero que uma maioria sinta que o assunto lhe diz respeito porque, realmente, diz respeito a todos. Espero que libertem as mulheres portuguesas da potencial culpa criminosa que neste momento todas transportam: correrem o risco de engravidar e não quererem.
Porque ser mãe querendo-o é único, indescritível e merece ser saboreado.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

colaboradores precisam-se







Vem aí a Trienal de Arquitectura de Lisboa. Promete. Pena sofrer de lisboócentrismo. Segundo um dos responsáveis, e em resposta a alguns comentários críticos deixados no blog, José Mateus afirma que "como a equipa da Trienal ainda necessita de mais colaboradores, basta enviarem um mail para a Trienal, com o CV e Nº telefone, para poderem ser considerados em futuros alargamentos do quadro de pessoal".
Como não sei se vão ter o bom senso esperado de publicitarem esta necessidade de colaborados, fica o informal aviso...