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terça-feira, fevereiro 13, 2007

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

o dia a seguir

O sim ganhou. Sem me apetecer fazer análises pseudo-políticas, olho para tudo isto como o princípio de um caminho ainda longo. Agora é preciso levar mais a sério o direito à informação sobre reprodução e acessibilidade da contracepção. É necessário que se avance com estruturas de apoio às mulheres que pensam recorrer à ivg. É necessário que o país esteja à altura do sim politicamente expressivo que tivemos ontem. É necessário que se defenda a liberdade de escolha sustentada pela informação e pelo apoio efectivo a quem decide. Agora veremos da nossa capacidade de concretizar modernidade no que a este tema diz respeito.
Um pequeno passo para o país, o primeiro de um grande passo para a vida das mulheres.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

os sins do meu sim

Depois de uma ausência longa (a vida obriga!), venho deixar de modo mais claro alguns dos sins do meu sim. Noutras intervenções já tinha aberto as portas para os porquês (por exemplo, aqui e aqui) mas, em fecho de campanha e depois de ter lido, visto e ouvido muita coisa, tento chegar aos meus motivos.
1. Não sou pró-aborto, ninguém o é. Sou pró-vida sem obscurantismo, sou pró-escolha e pró-respeito pelas mulheres;
2. Acredito na capacidade das mulheres decidirem. Se considera a sociedade que, naturalmente (?), estamos preparadas para aceitar a responsabilidade da maternidade então, parece-me, devem considerar fortemente a possibilidade de sermos capazes de decidirmos sem leviandade sobre o caminho a tomar face a uma gravidez não desejada;
3. Acolhida numa estrutura legal, informativa e de apoio multidisciplinar a mulher decide com menos dor física e psíquica, definitivamente com menos sequelas. Quem sabe se apoiada e esclarecida, sem os medos implícitos à silenciar da angústia, a mulher não decide pela via da aceitação da gravidez?
4. A educação para uma sexualidade saudável e responsável não está implantada. O planeamento familiar funciona mal e escassamente. Os métodos contraceptivos são falíveis. A passagem da mensagem sobre uso sistemático e correcto dos contraceptivos tem sido muito falível. E, afinal, sexualidade não é igual a reprodução.
5. Porque não quero que as nossas filhas, amigas, primas, namoradas, mulheres, mães passem pela mesma situação de ilegalidade que eu passei um dia.

Espero que o SIM ganhe. Espero que uma maioria sinta que o assunto lhe diz respeito porque, realmente, diz respeito a todos. Espero que libertem as mulheres portuguesas da potencial culpa criminosa que neste momento todas transportam: correrem o risco de engravidar e não quererem.
Porque ser mãe querendo-o é único, indescritível e merece ser saboreado.

terça-feira, janeiro 30, 2007

freud explicava mas não me apetece

Parece que perdi ontem uma boa representação do sim no Prós e Contras da rtp. Pelo menos é o que se diz - e eu acredito! - no Renas e Veados e no blog das múltiplas.
Confesso que me deixei esquecer. Deixei que o cansaço me afastasse do televisor. Confesso, também, que o meu coração palpita muito com este tipo de debates e tive medo de não aguentar e engrossar as urgências de são josé. E como aquilo está mesmo deprimente, tumba! esponja sobre a memória.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

a coerência do não

Convém sublinhar as afirmações de defensores do não que assumem a sua posição clara e coerente: a mulher que aborta é criminosa e deve pagar por isso. Não se esqueçam disto porque, mesmo para os defensores do não que se colaram ao politicamente correcto do "não penalizar as mulheres", esta é a verdadeira tomada de posição de quem vota não.
Repito para que não se percam: a mulher que aborta é criminosa e deve pagar por isso.
É sobre isto que votamos no referendo: crime e castigo ou nem por isso.
Depois andam uns nãos assim-assim para baralhar e atirar areia para os olhos.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

"Aqui todos estamos de acordo com a despenalização do aborto"

Mas, não vá o diabo tecê-las, é melhor que a hipótese dos julgamentos, do achincalhamento público, das investigações constrangedoras das intimidades e das condenações fique na algibeira.
Assim elas não se esticam. E nunca se sabe quando dará jeito esquecemo-nos de que não as queremos a pagarem pelos seus pecados. háMen!

terça-feira, janeiro 23, 2007

venham mais cinco!

Aqui chegam mais uns quantos, desta vez da minha outra cidade, Barcelona, para mostrar que o sim português tem muitas geografias e reflexões.
Benvinguda dona!

...mesmo se não têm direito a voto, uma vez que a matéria em questão não integra o "interesse específico" deles... estranho, não?
Como resposta explicam:"Não sendo possível aceder a esse histórico direito do voto, iremos votar simbolicamente na Plaça de Catalunya em Barcelona. As duas concentrações realizar-se-ão nos próximos domingos dias 28 de Janeiro e 4 de Fevereiro, pelas 16h, na Plaça de Catalunya, durante as quais se distribuirão folhetos informativos sobre a questão em geral e particularmente sobre a posição por nós assumida e defendida. Deste modo convidamos todos os cidadãos residentes em Barcelona, sensibilizados por esta questão, a afirmar um SIM a este referendo."

[Este assunto também é tratado aqui, no sim no referendo]

segunda-feira, janeiro 22, 2007

como agora não tenho tempo

Estava ontem maravilhada com a prestação inteligentíssima de um tal Rebelo de Sousa (Marcelo, parece-me) na RTP1 e a pensar como dividir, neste humilde espaço, este estado de alma superior que me acolheu... Seria pedir demais às minhas horas desta semana. Assim, como manual de aproximação e explicação do absurdo, aconselho: Fernanda Câncio no Sim no Referendo.
Depois não me venham dizer que as mulheres e a sua capacidade de decisão não são o alvo a abater. Valores superiores? Vida? De quem?
Voltamos à dúvida: confiam em nós para termos filhos mas não para tomar decisões? Cómicos.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

novo blog - sim no referendo

Estará até dia 12 de Fevereiro entre nós. É alimentado por 14 pessoas que, por motivos nem sempre iguais, se colocam, face ao referendo que nos espera no dia 11 de Fevereiro, no lado do SIM. Aqui fica a referência ao sim no referendo.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

quinta-feira, dezembro 28, 2006

da interrogação 2.1.

Se é assim então o assunto do dia 11 de Fevereiro já está resolvido, não é? E o dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo também. E o ordenado mínimo sobe um bocado. E o IVA já não é a 21%. E...
Toca a acordar, si us plau!

terça-feira, dezembro 19, 2006

o aborto em França

Segundo nos era dito ontem no Público (18/12/2006, p.11) o "desaparecimento de abortos clandestinos e da complicações resultantes desta prática consistiram nos primeiros efeitos da legalização da interrupção voluntária da gravidez (IVG) em França, aprovada há mais de três décadas."
Também é importante a nota de que, no caso francês, "a legalização da IVG, autorizada até às 14 semanas, não aumentou o número de abortos".
A informação foi dada, no passado dia 10, por Elizabeth Aubény (presidente da Federação Internacional de Planeamento, Aborto e Contracepção) numa iniciativa da responsabilidade dos Médicos pela Escolha.
Para os indiferentes e para os arautos da catástrofe moral, aqui fica o registo de uma outra experiência face ao assunto.
[+ dados aqui]

quinta-feira, dezembro 14, 2006

mais uma possível...

...porta para o Sim. Via "Médico explica medicina a intelectuais". Aqui.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

até parece uma resposta ao sr. Cabral

"Para Constantino Sakellerides, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) e ex-director-geral da Saúde (que defende igualmente a despenalização do aborto), este trabalho é "muito interessante" não só porque permite concluir que a IVG "tem um peso importante na nossa sociedade", mas também porque torna evidente que as mulheres não tomam a decisão de abortar "com ligeireza" - a maior parte diz que a decisão foi "difícil" ou dificílima". Os factores que determinam a interrupção da gravidez resultam de "um conjunto de circunstâncias que dificilmente são controladas" pelas mulheres, nota ainda. Perto de um quinto das mulheres que abortaram vivem sozinhas, não têm vida sexual estabilizada e isso é um factor-chave neste processo, sublinha, acrescentando que em cerca de 17 por cento dos casos a decisão é tomada por rejeição da gravidez por parte do companheiro ou por pressões familiares. As razões invocadas são "sérias, não são caprichos", sintetiza.Uma boa notícia é a de que a maior parte das mulheres inquiridas diz ter interrompido a gravidez apenas uma vez e quase dois terços afirmam tê-lo feito até às dez semanas de gestação. Isto significa que as mulheres "não têm a propensão para usar o aborto como método contraceptivo", resume Maria José Alves. "O primeiro aborto é quase sempre o último", corrobora Sakellerides." (os sublinhados a negro são meus)
[ler
artigo completo]

terça-feira, dezembro 12, 2006

mas há mais

Hã?!
"... se o SIM ganhar o referendo, a grávida poderá abortar livremente (até às 10 semanas), de forma totalmente gratuita no Serviço Nacional de Saúde, ainda que contra a vontade expressa do pai e restante família?"
Podia repetir? Não percebi...

breves porque o tempo não ajuda

Chego à pérola de comentário do sr. Francisco Sarsfield Cabral sobre o aborto conveniente [via rititi].
Pasmo. Estão loucos ou quê?

[já sei: apareço poucas vezes, digo pouco e parece que sempre apoiada em blogografia... algumas vezes não há volta a dar... vidas!]

sábado, dezembro 09, 2006

o que ela diz...

... aqui eu assino COMPLETAMENTE por baixo. Não imagino melhores palavras para explicar o que pode significar a potencial má sorte de a vida não nos tratar bem.
Ninguém merece achar prepotentemente Não e depois ter de fazer Sim. Que seria da coerência, então?...

[adenda pós-post: eu sei que a rititi fala de situações já aceites pela letra da lei lado a lado com outras que nem por isso. eu assino na mesma. a liberdade de escolher nas primeiras não deve ser mais verdadeira e legal do que a liberdade de escolher nas segundas situações... afinal, as que levamos a referendo.]

terça-feira, dezembro 05, 2006